Como descobri que meu filho é autista

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Ter uma família grande sempre foi o maior sonho da minha vida. Quando me casei, eu já tinha um filho de um outro relacionamento, meu amado Lucas (sem ele eu não sei o que seria de mim), meu marido o abraçou  e o chamou de “meu filho”, a partir dai eu percebi que teria uma família de verdade, a minha família.  Eu já tinha 2 anos de casada quando descobri que estava grávida de novo, foi uma enorme alegria, eu estava no terceiro período da faculdade e sabia que este fato iria atrapalhar um pouco a formatura. Eu estava feliz com a notícia e pensava que o importante era o meu filho ter saúde – o que envolvia os ultrassons durante a gestação e, depois que ele nascesse, testes como o do pezinho e da orelhinha, que poderiam apontar algum problema.

Tudo correu bem durante a gravidez. Diego nasceu, fez uma bateria de exames e os resultados foram normais. Eu fiquei muito tranquila, afinal, tinha preocupações com o desenvolvimento dele até aquele momento, pois estava certa de que, depois, as coisas aconteceriam dentro do esperado. Na época, nós morávamos em Belo Horizonte.

Quando ele estava com 10 meses eu voltei para a faculdade e ele foi para a a mesma escolinha do irmão. 

Foi quando ele começou a ter convulsões silenciosas. Ele ficava com a saturação baixa, lábios roxos, era um horror. Por sorte no hospital que levamos na primeira crise a pediatra de plantão era neuropediatra e foi ai que ela fez o diagnóstico de Epilepsia. PRONTO, meu chão desabou, como lidar com convulsões silenciosas?? Eu praticamente não dormia, a faculdade? Trancada pela segunda vez. E foi ai que começou meu desespero e uma bateria de exames com nomes super estranhos começaram a ser feitos.

Os anos passaram e comecei a observar o seu comportamento: ele machucava e parecia não sentir dor, nós o chamávamos e ele não olhava, mas eu sabia que ele não era surdo porque respondia a outros sons, ele apresentava pouco interesse por crianças da mesma idade, tudo isso me deixava bem intrigada, porque pessoas epiléticas não tinham este tipo de comportamento e foi ai que comecei a suspeitar que a epilepsia poderia ser um sintoma. Comecei a investigar a fundo, levei a vários profissionais, vários exames novamente e uma angustia sem fim. Todos os exames davam normais. Cheguei a ser vista como louca, aquela que esta procurando sarna para se coçar. Uma médica de uma conceituada rede de hospitais me disse que eu estava procurando problema onde não existia. Decidi continuar o tratamento para epilepsia e ficar sempre observando o comportamento dele.

Mudamos para Macaé-RJ em 2008 e Diego foi para o pré e eu voltei para a faculdade. Na escola nova ele começou a mostrar um comportamento diferente dos demais colegas, começou a se isolar e a falar de uma maneira estranha, parecia um dialeto só dele, ficou extremamente agressivo com a gente e com ele mesmo, novamente tranquei a faculdade e comecei a tentar ajudar meu filho. Em 2010 com muita dificuldade ele começou a falar de maneira que a gente entendia . Isso me deixava angustiada, a cada dia e foi quando minha irmã me incentivou a procurar uma psiquiatra.

Decidi leva-lo e foi la que ouvi pela primeira vez que meu filho era autista. Nunca pensei em tal diagnóstico porque para mim, autista era aquela criança debilitada.

Chorei de emoção por saber o que meu filho tinha, enfim a busca por resposta havia acabado e iniciava uma longa jornada.

Hoje, Diego tem 10 anos, é um garoto maravilhoso, super carinhoso, estuda em uma escola regular e por enquanto não tem nenhum mediador na sala de aula. Ele faz acompanhamento com  psicóloga comportamental e fonoaudióloga. Gostaria muito de poder disponibilizar para ele terapeuta ocupacional, integração sensorial, musicalização etc, mas são terapias caras que o plano não cobre.

Preconceito ainda não tivemos nenhum episódio, mas acho que talvez eu tenha experiências piores à medida em que ele for crescendo. Apesar disso, ser mãe de um filho autista me transformou. Passei a dar importância para o que realmente importa e, vitórias que às vezes são pequenas para outras mães, têm grande relevância para mim. 

Para as mães com filhos autista eu digo para que busquem conhecimento sobre o assunto para que passam saber como lidar com seus filhos, trocar experiências com outras mães que já se encontram nesta trajetória. 

Dificuldade, existem e são muitas, mas a vida do lado de uma criança como Diego tem muitas alegrias, ele é o maior presente que Deus poderia nos dar. 

“O autismo não é uma sentença de luto, é uma sentença de luta” (não me lembro o autor). É assim que eu penso!”

Por hoje é isso, espero que tenham gostado.

Bj a todos

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7 comentários sobre “Como descobri que meu filho é autista

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